2009
05.18

*Este texto foi retirei de uma revista “Casseta & planeta” de 1995. Uma biografia com humor inteligente e lascivo. Por Cláudio Paiva.

Madonna foi criada numa granja no interior da Itália. A família Rondelli era muito grande.
A mãe dela, dona Puttanesca, era uma máquina de procriar. Não podia abrir as pernas que saía um filho. Mesmo durante a segunda guerra, quando seu Brachola esteve fora quase três anos, dona Puttanesca não parou de botar criança no mundo. Madonna é dessa safra. Nasceu com a cara do padeiro e os olhos do carteiro. O resto era do time de futebol do Milan. O coquetel genético aconteceu numa bacanal para arrendar fundos para as viúvas da I Grande Guerra.

No final da II Grande Guerra, enquanto os Estados Unidos cresciam embalados pela vitória, a Itália mergulhava de cabeça na piscina seca da depressão. Dona Brachola enfiou os filhos numa mala, e foi atrás do sonho americano. Quando desceu do navio no porto de Nova Iorque, foi barrada pelos guardas alfandegários - excesso de peso. Para pagar a multa, a velha italiana teve que escolher entre seus filhos. Ficaria com um, enquanto os outros seriam levados pela carrocinha para a fábrica de sabão. Dona Capaletti preferiu ficar com Madonna - “Com uma buceta sempre dá pra se descolar um trocado…”. o Os Raviollis agora eram apenas Madonna e sua mãe, dona Nhoque. A menina foi para as ruas ganhar dinheiro. A noite, costurava pra fora.
Chuleava a madrugada toda. Só parava quando arrebentava as pregas. Mas apesar de todo o sonho maior: ser famosa e dar pro Warren Beatty.

No início dos anos 80, Madonna tomou coragem e foi fazer um teste numa gravadora. Um produtor deu pra menina um microfone cabeludo e ela arrasou. O sujeito ficou sem fala quando viu o potencial da garota. Levou-a até o manda-chuva da gravadora que quis ver a coisa de perto. Madonna teve que repetir o número no microfone de todos os executivos da gravadora, diretores de marketing, funcionários, fornecedores, estagiários, a moça do cafezinho e dois boys. Pro segurança Madonna deu só uma patolada.

Em 1982 saía o seu primeiro disco. O grande sucesso foi “Everybody” (Todos os bodes). Um disco sem maiores escândalos. A coisa só começaria a esquentar no clipe “Like a Virgin” (Gosto de uma virgem) onde Madonna fazia um solo de siririca em homenagem à Angélica e Adriane Galisteu. “Like a Virgin” era uma Madre Teresa perto de “Papa Don’t Preach” (Papai Não me Pape) onde Madonna aparecia com a pomba de fora segurando o crucifixo de um padre negro com o evangelho todo de fora. Esse clip provocou um rebuliço na igreja. O consumo de hóstias caiu violentamente, deixando o Papa (o Ronals McDonald da igreja católica) preocupado. João Paulo ficou uma semana sem cagar, o que para uma pessoa que tem uma sonda no intestino, é um problemão. Só quando a MTV tirou o clip de ar é que o santo homem voltou a rolar seu santo barro.

Madonna estreou no cinema em “procura-se Susan Desesperadamente” que no Brasil teve o título de “Passei a Noite Procurando Tu!” Não foi fácil para ela enfrentar as câmeras. A pornô pop-star-war só tinha experiêcias caseiras com videos, onde ela aparecia soprando velinhas de aniversário, chupando garrafas de guaraná, ou posando para fotos 3×4, onde ela sempre dava um jeito de mostrar a xereca. Quando a polícia estranhava sua carteira de identidade, Madonna dizia que a foto era da época que ela usava barba.

Mas foi em Dick Tracy (Moby Dick) que Madonna conseguiu finalmente comer Warren Beatty. O velho ator pegou uma doença e quase perdeu o pau. Na trilha do filme, o grande hit foi “Vogue” (que em português quer dizer “Nova”) A pop-gasta-star trouxe das boates gays de Nova Iorque um novo jeito de dançar: Todo mundo engatado! Só separavam quando alguém jogava um balde de água fria.

Em 92, durante as filmagens de “Na Cama com Madonna” (Mau Marido, Meu Cavalo), Madonna deu entrada no pronto-socorro com uma Big Coke entaladana bunda. A contora ficou meio estragada (os médicos tiraram a garrafa pela boca), mas a Big Coke não perdeu nem o gás.

No embalo do disco “Erótica” (”Interview Sexy” no Brasil), Madonna lançou o livro de fotos “O Olho Mágico”, onde os fãs podiam ver o cu da cantora em 3-D. Para conseguir o efeito de terceira dimensão, as pessoas tinham que encostar o nariz no livro, mas o cheiro era insuportável, e todo mundo acabava desistindo. O livro foi um fracasso.

Madonna agora está lançando “Bedtime Stories” (“Se minha cama falasse” ou “Lendo a Time na Cama”? sei lá. Uma porra dessas aí…), mas os escândalos não param. Semana passada a polícia registrou nova entrada da cantora no pronto-socorro. Dessa vez ela tinha um entregador da Coca-Cola entalada na bunda. Foi um cu pra tirar o rapaz de lá. O carrinho dele, com quatro caixar de Fanta Uva e uma de Coca litro, nunca mais foi achado. A gravadora teve que indenizá-lo. Michael Jackson propôs para a Pepsi fazer o mesmo, mas acabou perdendo o patrocínio do refrigerante, e ganhando mais uma surra de seu pai, pra deixar de ser viado.

A infância de Madonna foi uma merda! Sua mãe não tinha leite e a menina foi obrigada a mamar no pai. Hoje em dia ela agradece ao velho a intimidade que tem com o microfone.

*Post reeditado do antigo Etc S/A.

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